O regime de visitas define quando estás com os teus filhos e, por consequência, quando tens tempo para ti. Os quatro modelos abaixo são exemplos frequentes, não regras: cada família acorda o seu, ou o tribunal fixa-o, no processo de regulação do exercício das responsabilidades parentais. Para cada um, olhamos para o mesmo: como é a quinzena, que tempo livre sobra, o que complica e o que fazer.
Exemplo 1. Residência com um progenitor e fins de semana alternados
Os filhos vivem com um dos pais e passam um fim de semana em cada dois com o outro, habitualmente de sexta ao fim do dia até domingo à noite. Muitas vezes acrescenta-se metade das férias escolares.
- Para quem tem a residência: um fim de semana livre em cada dois, e quase nenhum tempo durante a semana. As noites livres são raras e preciosas.
- Para quem tem os fins de semana: doze dias livres em cada catorze, mas o risco de os fins de semana com as crianças virarem uma maratona e os outros dias um vazio.
- O que complica: os dois pais vivem ritmos opostos. Um está esgotado e sem tempo, o outro tem tempo a mais e saudades.
- O que fazer: quem tem a residência deve marcar encontros nos fins de semana livres e aproveitar a hora de almoço; quem tem os fins de semana deve planear os dias livres com intenção, em vez de esperar pela sexta seguinte.
Exemplo 2. Fins de semana alternados com jantar a meio da semana
Igual ao anterior, com um jantar semanal, por exemplo à quarta, em que o outro progenitor vai buscar as crianças e as devolve à noite. É dos modelos mais referidos como habituais.
- Para quem tem a residência: uma noite parcial livre por semana, de duas ou três horas. Não dá para um jantar fora, mas dá para um café ou um passeio curto.
- Para o outro progenitor: o contacto com os filhos fica mais regular, o que alivia a saudade e evita que tudo se concentre no fim de semana.
- O que complica: a noite do jantar parece livre, mas é apertada. Quem tenta encaixar ali um encontro acaba a olhar para o relógio.
- O que fazer: usa essa noite para ti, sem compromissos: ginásio, uma amiga, um banho longo. Guarda os encontros para os fins de semana sem os miúdos.
Exemplo 3. Residência alternada semanal
Os filhos vivem uma semana com cada progenitor, com a troca geralmente à sexta ou ao domingo. Desde a Lei n.º 65/2020, o tribunal pode fixá-la mesmo sem acordo dos pais, quando corresponde ao superior interesse da criança. As férias costumam dividir-se ao meio.
- Para os dois pais: uma semana inteira livre em cada duas. É o modelo que deixa mais tempo contínuo para a vida pessoal.
- O que complica: exige casas próximas, comunicação regular entre os pais e uma organização fina das mochilas, das atividades e dos trabalhos de casa. A transição de semana pesa, sobretudo nos primeiros meses.
- O que fazer: vive a semana sem os filhos sem culpa e a semana com eles sem distrações. Procura alguém cujas semanas livres coincidam com as tuas, ou passarão o tempo desencontrados.
Há uma página só sobre isto, com as perguntas mais frequentes: residência alternada e vida amorosa.
Exemplo 4. Pais que vivem longe um do outro
Quando um dos pais mudou de cidade, o ritmo semanal deixa de ser possível. A jurisprudência tem em conta a distância entre as casas: num caso do Tribunal da Relação de Coimbra, a residência alternada foi considerada impraticável com mais de 120 quilómetros entre as duas casas. O que se vê com frequência são fins de semana mais espaçados e uma parte maior das férias escolares com o progenitor que vive longe.
- Para quem tem a residência: quase todo o ano letivo com os filhos, poucos fins de semana livres, e períodos longos sem eles nas férias.
- Para quem vive longe: viagens de comboio ou de carro ao sábado de manhã, fins de semana intensos, e semanas longas de saudade.
- O que complica: o tempo livre chega aos blocos, não aos bocadinhos. Uma relação nova tem de aceitar que, durante as férias da Páscoa ou do verão, a tua disponibilidade muda por completo.
- O que fazer: mostra o teu ano inteiro a quem estás a conhecer, não só a semana. As datas de férias escolares, fixadas todos os anos pelo Ministério da Educação, são um bom ponto de partida para planear.
Comparação rápida: que tempo sobra em cada modelo
- Exemplo 1: pouco tempo livre e espalhado para quem tem a residência; muito tempo e mal distribuído para o outro.
- Exemplo 2: como o primeiro, mais uma noite curta por semana que serve para respirar, não para namorar.
- Exemplo 3: tempo livre longo e previsível para os dois, desde que as agendas se cruzem bem.
- Exemplo 4: tempo livre em blocos, que muda radicalmente nas férias escolares.
Seja qual for o teu modelo, o problema prático é o mesmo: saber se a agenda da pessoa que estás a conhecer encaixa na tua. O Calendário de guarda do PAM serve exatamente para isso. Preenches o teu regime em segundos, seja ele qual for, e vês a compatibilidade de agendas e o tempo possível juntos antes de começarem a conversar.
O erro que se repete em todos os regimes
É pensar no regime de visitas apenas como uma questão das crianças e esquecer que ele também desenha a tua vida. Muitos pais aceitam um modelo sem pensar no próprio descanso e, um ano depois, estão exaustos ou isolados. O interesse dos filhos vem primeiro, e é esse o critério da lei. Mas dentro do que serve os filhos, há quase sempre margem para escolher um ritmo que também te deixe respirar. E se o teu modelo te deixa muitas noites sozinho, no fórum O Círculo do PAM encontras pais com o mesmo regime a partilhar o que fazem com esse tempo.
Se estás a negociar ou a rever o regime, o Sistema de Mediação Familiar, da Direção-Geral da Política de Justiça, ajuda os pais a chegar a acordo. Para questões legais concretas, fala com um advogado.
Para continuar
O diário de quinze dias de um pai com fins de semana alternados mostra o primeiro e o segundo exemplo vividos por dentro. Se vives em Setúbal e o teu regime se cruza com horários de trabalho em Lisboa, há uma página sobre pais solteiros em Setúbal. E tudo sobre a app está na página da app de encontros para pais solteiros.
Descarrega o PAM →Perguntas frequentes
- Qual é o regime de visitas mais comum em Portugal?
- São frequentes a residência com um progenitor e fins de semana alternados, muitas vezes com um jantar a meio da semana, e a residência alternada semanal. São exemplos, não regras: cada caso é acordado pelos pais ou fixado pelo tribunal.
- Como se chama oficialmente o regime de visitas?
- Juridicamente fala-se de responsabilidades parentais, e o processo chama-se regulação do exercício das responsabilidades parentais. Regime de visitas é a expressão do dia a dia.
- Como se dividem as férias escolares?
- Um modelo comum é cada progenitor ficar com metade das férias escolares. O calendário escolar é fixado todos os anos pelo Ministério da Educação. A divisão concreta depende do acordo ou da decisão do tribunal.
- Posso mudar o regime de visitas?
- Os pais podem chegar a novo acordo, e a mediação familiar pública ajuda nesse processo. Para alterar uma decisão judicial ou em caso de desacordo, fala com um advogado.
- Que regime deixa mais tempo para a vida amorosa?
- A residência alternada semanal costuma deixar mais tempo livre contínuo para os dois pais. Mas o que conta é a compatibilidade entre a tua agenda e a da outra pessoa, que o Calendário de guarda do PAM ajuda a ver.