Podes voltar a ter encontros sendo mãe solteira, e não precisas da autorização de ninguém para isso: nem da tua mãe, nem das colegas, nem da parte de ti que acha que primeiro tens de ter a casa toda arrumada. Esta carta é para ti, que já abriste uma app três vezes e a fechaste três vezes. Lê-a ao teu ritmo.
Sobre o medo do que vão dizer
Sei como é o almoço de domingo. Alguém pergunta, entre o arroz e a sobremesa, se «ainda não arranjaste ninguém», e outra pessoa responde por ti que «agora o importante são os miúdos». As duas frases pesam, cada uma para o seu lado. Uma diz que estás sozinha de mais, a outra diz que nem devias pensar nisso.
A verdade é mais simples: os teus filhos precisam de uma mãe inteira, e uma mulher que só existe como mãe acaba por se apagar. Querer jantar com um adulto, rir de uma piada que não é sobre desenhos animados, sentir que alguém repara em ti, nada disso tira um minuto ao amor que tens pelas crianças. Não tens de anunciar nada a ninguém. Podes começar em silêncio e contar só quando, e se, houver alguma coisa para contar.
Sobre a segurança, que é a tua primeira preocupação e com razão
Tu não arriscas apenas uma noite má. Tens uma casa com crianças, e é normal que isso te deixe de pé atrás. Por isso, algumas regras que não negocias, pelo menos no início:
- o primeiro encontro é sempre num sítio público, movimentado, a que chegas e de onde sais pelos teus meios;
- a tua morada, a escola dos miúdos e os horários deles ficam fora da conversa até haver confiança a sério;
- alguém de confiança sabe onde estás, com quem, e a que horas contas voltar;
- se uma pessoa pressiona para vir a tua casa ou para conhecer os teus filhos cedo, o encontro acaba ali.
No PAM podes denunciar ou bloquear qualquer perfil num gesto, e há perfis verificados. Não substitui o teu instinto, mas tira-te algum peso dos ombros. E se um dia sentires que algo não bate certo, confia nisso. Não deves explicações a quem te deixou desconfortável.
Sobre o tempo que não tens
Conheço o teu dia. Sais do trabalho a correr para chegar ao ATL antes de fechar, fazes o jantar enquanto alguém pede ajuda com os trabalhos de casa, há banho, há a mochila do dia seguinte, há a roupa para estender. Às dez da noite a casa fica finalmente em silêncio e tu estás cansada de mais para te maquilhar e sair.
Então não saias às dez da noite. Os encontros de mãe solteira raramente cabem no horário dos filmes. Cabem num café na hora de almoço, numa caminhada ao sábado de manhã no fim de semana em que os miúdos estão com o pai, num lanche enquanto a avó fica com eles uma tarde. Pensa em janelas de uma hora, não em noites inteiras.
É aqui que o Calendário de guarda do PAM te ajuda: introduzes os teus dias com e sem as crianças e a app mostra, antes de qualquer conversa, se a agenda da outra pessoa encaixa na tua e quantos dias livres têm em comum. Deixas de perder tempo com quem só está livre exatamente quando tu não estás.
Sobre os miúdos, que vão continuar no centro
Ninguém te pede que os tires do centro. Pede-se apenas que haja uma margem à volta deles onde também caibas tu. As crianças não precisam de conhecer ninguém nos primeiros tempos. Não precisam de saber que tens encontros, tal como não sabem de cada reunião do teu trabalho. Quando houver uma relação estável, aí sim, pensa numa apresentação feita com calma. Há um plano em etapas para apresentar alguém aos filhos que te pode ajudar nessa altura.
Se o teu filho ou a tua filha já é mais velho e faz perguntas, responde com verdade e sem pormenores: «Tenho saído com uma pessoa, é cedo para te apresentar, mas não te escondo nada.» Os adolescentes percebem bem mais do que pensamos, e reagem pior aos segredos do que às novidades.
Sobre o erro que vejo tantas mães fazerem
É esperar pela altura perfeita. Quando o divórcio estiver resolvido, quando o mais novo entrar para a escola, quando perderes uns quilos, quando o trabalho acalmar. A altura perfeita não chega, e entretanto passam anos em que deixaste de te ver como alguém que pode ser desejada e escolhida.
O outro erro, mais discreto, é aceitar menos do que mereces por achares que «com filhos já não posso escolher muito». Podes. Uma pessoa que torce o nariz quando falas das crianças, que desaparece quando tens de cancelar porque a mais pequena ficou com febre, não é uma pessoa para ti. Quem vale a pena entende a tua agenda e até acha graça às histórias da escola.
Sobre a solidão, que às vezes nem é falta de amor
Há noites em que não te apetece um encontro. Apetece-te só falar com alguém que perceba o que é gerir uma febre às três da manhã sem ninguém para revezar. Para essas noites existe O Círculo, o fórum de entreajuda do PAM, onde podes escrever até de forma anónima e ler outras mães e pais que passam pelo mesmo. Às vezes, sentir que não és a única é o primeiro passo para te sentires pronta para o resto.
Por onde podes começar esta semana
Escolhe um único dia sem os miúdos nas próximas duas semanas. Cria um perfil honesto, com uma fotografia tua de que gostes e uma frase sobre a tua guarda. Fala com duas ou três pessoas, não mais. Marca um café. Se não correr bem, terás tomado um café. Se correr bem, logo se vê.
Se quiseres um método mais detalhado, lê o guia passo a passo de encontros para pais solteiros. Se vives no Porto e os teus fins de semana livres passam entre a Ribeira e Gaia, espreita a página sobre mães e pais solteiros no Porto. E para saberes o que o PAM faz, a página da app de encontros para pais solteiros explica tudo.
Um abraço, e coragem. Não é preciso muita: basta a que chega para dizer sim a um café.
Descarrega o PAM →Perguntas frequentes
- É egoísta uma mãe solteira querer voltar a namorar?
- Não. Cuidar da tua vida afetiva não tira nada aos teus filhos, e uma mãe que tem espaço para si costuma ter mais energia para eles. O que importa é proteger a rotina das crianças e não as envolver cedo de mais.
- Quando devo contar aos meus filhos que tenho encontros?
- No início não é preciso contar. Quando a relação se tornar estável, prepara uma apresentação com calma. Se os teus filhos forem mais velhos e perguntarem, responde com verdade e sem pormenores.
- Como me proteger num primeiro encontro?
- Encontra-te num sítio público, chega e sai pelos teus meios, não dês a morada nem informações sobre a escola dos miúdos e avisa alguém de confiança. No PAM podes bloquear ou denunciar um perfil a qualquer momento.
- Não tenho tempo para sair à noite. Ainda faz sentido tentar?
- Faz. Muitas mães solteiras marcam encontros curtos de dia: um café na hora de almoço ou uma caminhada num fim de semana sem os miúdos. O Calendário de guarda do PAM mostra os dias livres que tens em comum com a outra pessoa.
- E se a pessoa desaparecer quando souber que tenho filhos?
- Então poupou-te tempo. Diz no perfil que és mãe e como funciona a guarda. Quem fica depois de ler isso já aceitou a parte da tua vida que não vais mudar.