Pai solteiro e encontros: quinze dias na vida de um pai com fins de semana alternados

Um diário dia a dia para perceber onde cabe uma vida amorosa entre a sexta em que os vais buscar e o domingo em que os entregas.

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Em resumo: Um pai solteiro com fins de semana alternados tem, na quinzena, uma semana e meia sem os filhos: é aí que cabem os encontros. O segredo é proteger por inteiro o fim de semana com os miúdos e o jantar a meio da semana, e usar o resto com intenção em vez de o deixar escorrer.

Um pai solteiro com fins de semana alternados consegue ter encontros sem tirar nada aos filhos, desde que separe com clareza os dias deles dos dias dele. Para mostrar como isso fica na prática, escrevemos um diário de quinze dias. É um exemplo construído a partir de situações comuns, não a história de alguém em particular: um pai com dois filhos, de 7 e 11 anos, que ficam com a mãe durante a semana, vêm para ele de quinze em quinze dias, de sexta a domingo, e jantam com ele todas as quartas.

Primeira semana: o fim de semana com eles

Dia 1, sexta

Saio mais cedo do trabalho e apanho o comboio para chegar à escola às cinco e meia. O mais novo vem a correr com a mochila meio aberta. O mais velho finge que não está contente por me ver. No carro decidimos o jantar: massa, como sempre. O telemóvel fica na gaveta da cozinha até domingo à noite, e isto é uma regra que me impus logo no início. Nestes dois dias, não respondo a ninguém que não seja da família.

Dia 2, sábado

Treino de futebol às dez, almoço em casa da minha mãe, tarde no parque com a bicicleta. À noite, filme e pipocas no sofá. Reparo que há um ano passava estes sábados a pensar no que tinha perdido. Hoje passo-os com eles, e chega.

Dia 3, domingo

Manhã lenta, trabalhos de casa à pressa depois do almoço, mochilas feitas. Entrego-os à mãe às seis. Volto para uma casa demasiado silenciosa. Este é o momento mais difícil da quinzena, e aprendi a não decidir nada nesta noite. Nada de mensagens impulsivas a alguém só para não estar sozinho. Arrumo os brinquedos, faço uma sopa para a semana, deito-me cedo.

Primeira semana: os dias sem eles

Dia 4, segunda

Abro o PAM no autocarro. Atualizo o Calendário de guarda, que tinha preenchido com o preenchimento automático e que só ajusto quando há trocas com a mãe. Vejo de imediato com que pessoas os dias livres coincidem. É a primeira coisa que olho, antes das fotografias. Uma conversa com alguém cujos dias livres são exatamente os meus fins de semana com os miúdos não vai a lado nenhum, por muito simpática que a pessoa seja.

Dia 5, terça

Respondo a duas conversas. Numa delas, a Inês, também mãe de dois, propõe um café na quinta à hora de almoço. Aceito. Digo-lhe logo que tenho os miúdos de quinze em quinze dias e às quartas ao jantar, e que essas horas não as troco. Ela responde que funciona igual do lado dela, com outros dias. Alívio.

Dia 6, quarta

Jantar a meio da semana com os meus filhos. Vou buscá-los às sete, comemos uma pizza em casa, ajudo o mais velho com matemática, levo-os de volta às nove. São duas horas, mas são sagradas. É também aqui que percebo se alguma coisa não está bem com eles. Se um dia uma relação nova me pedisse para trocar este jantar, saberia logo que não era a relação certa.

Dia 7, quinta

Café com a Inês, perto do trabalho dela. Uma hora. Falamos dos miúdos durante dez minutos e depois de tudo o resto: música, uma viagem que ambos queremos fazer, o trânsito na ponte. Não sei ainda o que vai dar. Sei que me ri, e há muito tempo que um primeiro encontro não me fazia rir.

Segunda semana: a semana inteira livre

Dia 8, sexta

Fim de semana sem os miúdos. Antes, estes fins de semana eram os piores: ou ficava em casa, ou saía para não pensar. Agora planeio. Combino uma corrida de manhã com um amigo, deixo a tarde livre e decido que sábado à noite vou jantar fora, nem que seja sozinho.

Dia 9, sábado

No fim da tarde, estou numa esplanada junto ao rio com um livro e ativo o FacePAM durante uma hora. Vejo que há outros membros do PAM por perto que também o têm ligado, sem nunca saber onde estão exatamente. Troco duas mensagens com um deles, um pai que também está numa semana sem filhos, e acabamos a beber qualquer coisa e a falar de horários de guarda como se fôssemos colegas de turno. Nem todos os encontros são românticos. Às vezes ganhas simplesmente alguém com quem falar.

Dia 10, domingo

Mensagem da Inês. Quer repetir, desta vez um jantar, no fim de semana em que ela também está sem os filhos. Abro o calendário: coincide com o meu. Marcamos com dez dias de antecedência, como pais organizados que somos, e rimo-nos disso.

Dias 11 e 12, segunda e terça

Trabalho, ginásio, uma chamada de vídeo com os miúdos na terça à noite. A mãe pergunta se posso ficar com eles numa sexta extra no próximo mês porque tem uma formação. Digo que sim e atualizo o calendário no próprio dia. Uma troca destas, se não ficar registada, rebenta duas semanas depois com um encontro marcado em cima.

Dia 13, quarta

Segundo jantar da quinzena com os filhos. O mais novo pergunta se tenho namorada. Respondo que tenho amigos novos e que, se um dia houver alguém importante, ele vai ser dos primeiros a saber. Fica satisfeito e passa ao assunto seguinte, que é um jogo de cartas.

Dia 14, quinta

Preparo o fim de semana com eles: compras, lençóis lavados, o equipamento do futebol. Respondo à Inês que estou com os miúdos até domingo e que falamos segunda. Ela responde com um polegar para cima. Não precisa de mais.

Dia 15, sexta

Comboio, escola, mochila meio aberta. Recomeça.

O que este diário ensina

O erro mais comum dos pais nesta situação

É tentar ser pai a tempo inteiro no fim de semana e solteiro a tempo inteiro no resto, sem transição. Muitos pais separados enchem os dias livres de saídas para fugir ao silêncio e chegam à sexta seguinte exaustos. Outros fazem o contrário e fecham-se em casa à espera do próximo fim de semana com os filhos. O equilíbrio está no meio: uma ou duas coisas boas por semana, escolhidas, e espaço para descansar.

Se o vosso regime é diferente, a página com quatro exemplos de regime de visitas e o que mudam na tua vida ajuda a fazer as contas ao teu tempo. Para começar do zero, há o guia de encontros para pais solteiros. Se vives em Braga e os teus fins de semana livres pedem Minho, lê sobre pais solteiros em Braga. E a app PAM para pais solteiros está na página principal.

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Perguntas frequentes

Um pai com fins de semana alternados tem tempo para namorar?
Tem, e muitas vezes mais do que pensa: numa quinzena há uma semana e meia sem os filhos. O importante é proteger os dias deles e planear os outros, em vez de os deixar passar.
Devo responder a mensagens quando estou com os meus filhos?
Não é obrigatório nem recomendável. Avisa a pessoa de que estás com os miúdos até domingo e retoma a conversa depois. Quem compreende a tua vida de pai não leva isso a mal.
Como explicar a um primeiro encontro como funciona a minha guarda?
Numa frase simples: os dias em que tens os filhos e os que não tens. Diz também quais desses dias não trocas, como o fim de semana ou o jantar a meio da semana.
O que fazer quando a mãe pede para trocar dias?
Combina a troca e regista-a logo no teu calendário. No PAM, atualizar o Calendário de guarda faz com que a compatibilidade de agenda com outras pessoas fique sempre certa.
O que responder se o meu filho perguntar se tenho namorada?
Com verdade e sem pormenores. Diz que conheces pessoas novas e que, se houver alguém importante, ele vai saber. As crianças lidam melhor com respostas calmas do que com segredos.

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